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Minas Gerais: Mar em Boa Parte e Geleiras no Norte do estado

Reportagem do Jornal Estado de Minas, de 21 de abril de 2010: Duas pesquisas mostram que há 750 milhões de anos, boa parte de Minas Gerais era mar e que Norte do estado foi coberto por geleiras no período pré-cambriano.

Segundo o Núcleo de Geologia do Petróleo da Fundação Gorceaux, pesquisas mostram que há 750 milhões de anos, uma faixa do estado de Minas Gerais (800 quilômetros de extensão e 300 de largura), foi coberta por um mar raso e de águas quentes, por cerca de 120 milhões de anos. “Com a transgressão marinha, as partes baixas foram ocupadas. Houve uma invasão do mar no continente”, afirma Wilson Guerra da Fundação.

Além das evidências que comprovam que essa área foi ocupada pelo mar (hoje os municípios de Belo Horizonte, Lagoa Santa, Sete Lagoas, Curvelo, Pains, Arcos, Pirapora, Montes Claros e Manga), descobriu-se que Montes Claros, na Região Norte, uma das regiões mais quentes de Minas, foi tomada por geleiras. As evidências foram relatadas em artigo dos professores do Departamento de Geologia da UFMG, Joachim Karfunkel, Carlos Maurício Noce e Andreas Hoppe. “A glaciação neoproterozoica que afetou extensa porção do centro-leste do Brasil tem na serra, em em áreas vizinhas, os seus registros mais bem preservados.” Esse estudo é também importante, para se compreender as mudanças climáticas pelas quais nosso planeta passa, uma vez que que a Terra está em constante mutação.

Denominado pelos geólogos como Grupo Bambuí, as rochas sedimentadas neste antigo mar mineiro, está no perímetro da bacia do Rio São Francisco. Pelo fato de ter sido fundo de mar, a região tornou-se fonte de exploração de rochas calcárias. “As transgressões foram responsáveis por grandes depósitos de rochas calcárias e de parte do minério de ferro que também é de origem marinha”, informa Wilson. A Petrobrás e Codemig estão pesquisando as reservas de gás natural na região.
Antes de virar mar, a região foi coberta por geleiras. De acordo com o artigo, os vestígios podem ser encontrados na vertente leste e na terminação ao norte da Serra da Água Fria. “A importância do sítio da Água Fria e vizinhanças descorre não somente do excepcional estado de preservação dessas feições, mas também de sua variedade. Representam um paradigma de vestígios de uma glaciação pré-cambriana.”

Segundo Noce, “é fundamental quando analisamos a história do planeta, observar as eras glaciais. Na maior parte da história, o planeta era muito mais quente”.

Como se vê a geologia demonstra que há causas naturais no processo das alterações climáticas. Mas, Noce lembra bem que não se pode desconsiderar as interferências antrópicas.

No Comments Vera on Apr 21st 2010

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